domingo, 20 de janeiro de 2008

Rammstein

A letra de Benzin, da banda alemã Rammstein:

Ich brauche Zeit
Kein Heroin kein Alkohol kein Nikotin
Brauch keine Hilfe
Kein Koffein
Doch Dynamit und Terpentin
Ich brauche Öl für Gasolin
Explosiv wie Kerosin
Mit viel Oktan und frei von Blei
Einen Kraftstoff wie

Benzin

Brauch keinen Freund
Kein Kokain
Brauch weder Arzt noch Medizin
Brauch keine Frau nur Vaselin
Etwas Nitroglyzerin
Ich brauche Geld für Gasolin
Explosiv wie Kerosin
Mit viel Oktan und frei von Blei
Einen Kraftstoff wie

Benzin

Gib mir Benzin

Es fließt durch meine Venen
Es schläft in meinen Tränen
Es läuft mir aus den Ohren
Herz und Nieren sind Motoren

Benzin

Willst du dich von etwas trennen?
dann musst du es verbrennen
Willst du es nie wieder sehen?
lass es schwimmen in Benzin

Benzin
Ich brauch Benzin
Benzin

Gib mir Benzin

Minha livre tradução:

Preciso de tempo
Não de heroína, ou álcool, ou nicotina
Não preciso de ajuda
Ou de cafeína
Nem dinamite ou aguarrás
Preciso de óleo para gasolina
Um explosivo como querosene
Com muitos octanos e livre de chumbo
Um combustível como

Gsolina

Não preciso de amigo
Nem de cocaína
Nem de médico, nem de remédio
Não preciso de mulher, só de vaselina
Algo como nitroglicerina
Preciso de dinheiro para a gasolina
Um explosivo como querosene
Com muitos octanos e livre de chumbo
Um combustível como

Gasolina

Dê-me gasolina

Ela passa pelas minhas veias
Ela dorme nas minhas lágrimas
Ela escorre pelas minhas orelhas
Coração e rins são motores

Gasolina

Tu queres se separar de algo?
então tens que queimá-lo.
Nunca mais o queres ver?
Deixe-o nadar na gasolina.

Gasolina
Eu preciso de gasolina
Gasolina

Dê-me gasolina

Falaram e disseram tudo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Dionisíaco Renascentista & Industrial

A divisão das artes em apolíneas & dionisíacas feita por Nietzsche parece bastante razoável & resolve boa parte dos problemas de classificação artística. Mas elevar esse conceito para as escolas artísticas desde os tempos da Antigüidade me soa como um exagero. Classificar o Barroco & o Romantismo como partes de toda uma tradição dionisíaca só por conta da presença da subjetividade, & valorização do sacro pode ser uma generalização injusta tanto com os conceitos das duas escolas como com a classificação nietzscheniana.

Nietzsche: "(...)no mundo helênico existe uma enorme contraposição, quanto a origens e objetivos, entre a arte do figurador plástico, a apolínea, e a arte não figurada da música, a de Dionísio: ambos os impulsos, tão diversos, caminham lado a lado,(...)"*. O filósofo estuda a obra de arte helênica em si, e não tendências artísticas. Juntar o Barroco & o Romantismo apenas para fins classificatórios - ainda que com ressalvas - pode ser aceitável. Mas para fins analíticos é impensável, isso porque entre as duas veias há o fenômeno da industrialização, cuja influência - como já visto anteriormente - foi mister para o desenvolvimento do Romantismo. Muitos conceitos românticos e barrocos não se cruzam, ainda que versem sobre o mesmo assunto. Peguemos, para rápida comprovação, poemas de Gregório de Matos e Álvares de Azevedo, dois expoentes claros das duas escolas tidas como dionisíacas:

"Discreta, e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora

Em tuas faces a rosada Aurora,

Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:


Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,

Te espalha a rica trança voadora,

Quando vem passear-te pela fria:


Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,

E imprime em toda a flor sua pisada.


Oh, não aguardes, que a madura idade

Te converta em flor, essa beleza

Em terra, em cinza, em pó, em sobra, em nada.
" (Gregório de Matos)

"Meu anjo tem o encanto, a maravilha,
Da espontânea canção dos passarinhos...

Tem os seios tão alvos, tão macios

Como o pêlo sedoso dos arminhos.


Triste de noite na janela a vejo

E de seus lábios o gemido escuto.

É leve a criatura vaporosa

Como a frouxa fumaça de um charuto.


Parece até que sobre a fronte angélica

Um anjo lhe depôs coroa e nimbo...

Formosa a vejo assim entre meus sonhos

Mais bela no vapor do meu cachimbo.


Como o vinho espanhol, um beijo dela

Entorna ao sangue a luz do paraíso...

Dá morte num desdém, num beijo vida

E celestes desmaios num sorriso!


Mas quis a minha sina que seu peito

Não batesse por mim nem um minuto...

E que ela fosse leviana e bela

Como a leve fumaça de um charuto!
" (Álvares de Azevedo)

Primeiro, numa análise formal, Gregório de Matos usa um soneto, forma evitada pelos românticos. & Álvares de Azevedo estruturaliza seu poema em 4 estrofes de 4 versos decassílabos cada uma. A preocupação formal é mais clara no primeiro poema. A finesa da composição paralelística ("Em tuas faces", "Em teus olhos") & gradativa (do último verso) são perfeitos exemplos do cuidado formal barroco. Já em Álvares de Azevedo essa preocupação formal é desprovida de importância.

Os dois poemas falam da beleza feminina, & a idealização é visível em ambos. Mas no poema barroco ela é vinculada ao Carpe Diem, num tom pessimista, enquanto no poema romântico é vinculada ao spleen. O spleen romântico, inovação lançada por Byron, é responsável pelo conceito
de tom 'inspiratório' do poema, que se extende até os dias de hoje. Os poemas românticos tendem a parecer que foram escritos de sopetão, sem grandes elocubrações, o que não é verdade. A inspiração não é responsável pela criação dos poemas, massim o trabalho de composição.

O projeto romântico - impulsionado pela Revolução Industrial - critica o detalhismo & a erudição clássicos & impõe um ritmo & uma popularização vocabular que faz parecer que o poema não tem projeto de criação. Já no Barroco é basicamente a preocupação com a seleção de palavras, o trabalho cultista &/ou conceptista que rege a base estrutural do poema.

Além disso, outro conceito que se transformou com a Revolução Industrial - & que atrapalha a classificação do Barroco & do Romantismo num mesmo apanhado - é o conceito da alma, que vamos abordar mais pra frente, mas que também é apresentado nos dois poemas acima de forma diversa, na figura da mulher.

Para rápida e superficial análise, dividir os movimentos artísticos em apolíneos & dionisíacos tem a sua importância, tendo em vista algumas características que se repetem nas duas tendências. O problema é que, ainda que essas formas de expressões se repitam, a forma como elas são expressadas são diferentes, & esse fato é evidentemente crucial para qualquer interpretação mais aprofundada.

*[NIETZSCHE Friedrich, O nascimento da tragédia, ed. Companhia de Bolso]

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Romantismo & Industrialização

A indutrialização foi - talvez só depois do advento da agricultura - a maior revolução por que passou a humanidade. Uma revolução que foi crítica para o polimento do capitalismo & da cultura de massa. Criou novas formas de representar o mundo, abriu o mercado, atingiu todas as pessoas. A massificação das produtos industrializados, sua vizibilidade, bem como a intensa migração do trabalho rural para o urbano tornou possível ampliar a vizibilidade das manifestações artísticas.

O operário, o consumidor, o burguês industrial (financiador da nova arte), todos esses membros da sociedade passam a influenciar as manifestações artísticas. Há uma visível necessidade das novas camadas urbanas de manifestar uma cultura de comunicação, que no campo não existiam. Com a industrialização, não há mais visibilidade da cultura nobre, pro amor platônico, divagações espirituais. Tudo isso dá lugar para a cultura burguesa, social, pro amor familiar & divagações homem-máquina. Ora, essas novas manifestações são resultado direto da industrialização & da nova forma de interação. Comunicação.

Se aliarmos a isso o sentimento de Liberdade trazido pelos ideais Iluministas (Independência Americana, Revolução Francesa, essa coisa toda), pronto: explode mundoafora o Romantismo.

O Romantismo em todas as artes está carregado de indústria, de máquina, de produção em massa. & é fácil de observar isso - principalmente em autores europeus. No Brasil, o romantismo é bastante revolucionário - basicamente por conta das influências externas -, mas não dura muito & logo dá lugar ao parnasianismo (que vingou no país até 1922 - data que coincide com a primeira industrialização vindoura, em São Paulo). Tudo isso é explicável mais adiante.

O que importa agora é sentir a presença poderosa da industrialização na arte ocidental. & vamos começar com os dionisíacos.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Iniciada a produção.

Corta-se a fita.